terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Governança de TI – Processo exógeno ou endógeno?

Uma vez mapeado e analisado quem manda no quê em relação às decisões de TI, vamos discutir nesta postagem como iniciar o processo de implantação de uma governança de TI eficaz. A Matriz de Governança nos dará várias dicas em relação à estrutura de poder da empresa em que trabalhamos. Com ela podemos verificar se o processo de implementação da governança de TI terá o apoio da alta direção ou se será um processo árduo, onde este apoio só virá com a demonstração dos resultados (números!!!) das ações que poderemos tomar para que a coisa comece a tomar corpo.

Antes de falarmos da governança de TI propriamente dita, temos que falar um pouco sobre a governança corporativa, uma vez que aquela é proveniente desta. A governança corporativa se apóia em quatro princípios fundamentais: a transparência (disclosure), a integridade ou equidade (fairness ou equity), a prestação de contas (accountability) e o respeito às leis (compliance). Ela surgiu com mais força após série de escândalos que aconteceram nos Estados Unidos (Enron, WorldCom, Andersen, etc.) e com a promulgação da lei Sarbanes-Oxley naquele país. Antes da promulgação desta lei os conselhos de administração (CA) das empresas tinham um foco meramente ritualista, apenas para cumprir uma obrigação legal. Após a lei, os CAs se tornaram órgão proativos dentro das empresas, focados em questões substantivas e respeitados pelos CEOs.

Como consequência dos novos controles implementados, as empresas, não apenas dos Estados Unidos, mas de todo o mundo começaram a montar planejamentos estratégicos focados em resultados, auditáveis e passíveis de controle utilizando metodologias como o BSC (Balanced Scorecard). Se lembrarmos que governança de TI é “a especificação dos direitos decisórios e do framework de responsabilidades para estimular comportamentos desejáveis na utilização da TI”, então veremos que as empresas que deixaram de ver a área de TI como mero centro de custo e passaram a identificá-las como áreas estratégicas para seus negócios, baseadas nos resultados da montagem de painéis estratégicos, puderam implementar a governança de TI de forma exógena, ou seja, de fora da área de TI para dentro dela, com o apoio da alta direção da empresa. As empresas que tomaram este caminho certamente montaram uma Matriz de Governança mais adequada as suas necessidades de negócio e puderam usufruir da TI como alavanca dos seus negócios.

Porém, se você trabalha em uma empresa que ainda vê a TI como mero centro de custos, não se desespere, há uma luz no fim do túnel! Apesar de ser muito mais complexo e possuir um alto risco de não conseguir um resultado satisfatório, ainda sim é possível, de forma endógena, ou seja, de dentro da área de TI para o resto da organização, implementar uma governança de TI que irá mudar a forma da empresa trabalhar, paulatinamente. É lógico que o mínimo que se deve ter para iniciar uma aventura como esta é o apoio incondicional do CIO e seu comprometimento em ajudar na mudança comportamental e cultural da sua empresa. Se sua empresa possui um planejamento estratégico, por mais básico que seja este será o ponto de partida para a sua implementação. A Matriz de Governança mapeada dará o norte dos pontos que devem ser alterados com o tempo a fim de fazer com que a TI ajude a empresa a alcançar seus objetivos. As metodologias e melhores práticas do mercado devem formar a base para a sua implementação. Não tente inventar a roda e faça a coisa gradativamente, contabilizando os resultados e mostrando para a empresa o valor agregado. Lembre-se que o ótimo é inimigo do bom!

Nas próximas postagens contarei um pouco da minha experiência pessoal e de como implementamos a governança de TI em uma das maiores operadoras de saúde do Brasil. Iniciaremos também uma bela viagem sobre as metodologias e melhores práticas na implementação da governança de TI.

Sigam-me os bons!!!!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Desafio!!!

Uma vez apresentada a Matriz de Governança de TI, chegou o momento de lançarmos um desafio de final de ano!!!! Procure mapear a Matriz de Governança de TI da sua empresa. Identifique, para cada decisão de TI ou domínio de TI, o arquétipo que decide e o arquétipo que auxilia na decisão, contribuindo com informações e opiniões importantes para tomada de decisão.

Faça uma reflexão sobre o que você mapeou, analise os resultados, pense um pouco e você descobrirá que alguns problemas que a sua área de TI pode estar enfrentando são reflexo de um arranjo de governança mal definido para um determinado domínio de TI.

Veja abaixo um exemplo de como ficaria o resultado do mapeamento da Matriz de Governança de TI de uma empresa fictícia.



Mãos à obra... Lembre-se que a implantação de uma TI inteligente depende da análise e do trabalho de cada gestor. Feito o mapeamento e a análise, iniciaremos, nas próximas postagens, a definição de como mudar e como fazer da área de TI da sua empresa uma TI inteligente!!!!

Até a próxima...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A Matriz de Governança de TI

Agora que já vimos as cinco decisões críticas que devem ser tomadas em relação a TI e os seis arquétipos da governança, chegamos ao ponto tão esperado!! Como dito na postagem do dia 24 de novembro, para que se tenha uma governança de TI eficaz é necessário, antes de qualquer coisa, identificar quem manda no quê!!!

Abaixo apresento para vocês a famosa e importante Matriz de Governança de TI. Esta grade é montada com o cruzamento das cinco decisões críticas de TI, também chamadas de domínios de TI, e os seus respectivos arquétipos, quer dizer, o modelo de governança que foram identificados na pesquisa realizada por Ross e Weill. Analise a sua empresa, veja quem toma as decisões sobre cada um dos domínios de TI e monte esta planilha. Na próxima postagem diremos como preencher a planilha corretamente e como analisar seus resultados.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Arquétipos da Governança de TI – Parte 3

Finalizando as definições sobre os arquétipos da governança de TI, vamos falar nesta postagem sobre os arquétipos que estão faltando: o duopólio de TI e a anarquia.


Duopólio de TI – É um arranjo entre duas partes em que as decisões representam o consenso bilateral entre executivos de TI e algum outro grupo. É comum verificar, nas empresas onde as decisões são tomadas pelo duopólio de TI, a configuração em forma de “roda de bicicleta” ou “comitê em forma de T”. No primeiro caso o grupo de TI encontra-se no cubo central da roda e as unidades de negócios estão em volta do aro. Os raios da roda são os relacionamentos bilaterais entre o grupo de TI e as várias unidades de negócio. No segundo caso existem dois comitês sobrepostos: o comitê executivo (a parte horizontal do T), composto de administradores das áreas de negócio e o comitê de TI (a parte vertical do T) composto por técnicos de TI. Estes comitês discutem os assuntos e tomam as decisões.


Anarquia - Neste modelo, indivíduos ou pequenos grupos tomam suas próprias decisões com base somente em suas necessidades locais. As anarquias são a ruína de muitos grupos de TI, sendo caras de sustentar e preservar, porém podem ser adotadas em casos específicos, onde se requer, por exemplo, uma resposta muito rápida a necessidade locais ou a clientes individuais.

Com todos os conceitos colocados aqui no nosso blog, poderemos agora partir para o resultado prático, ou seja, podemos montar a Matriz de Governança de TI da nossa empresa. Vamos explorá-la nas próximas postagens, antes de entrarmos em outros assuntos. Vamos juntos... Agora a coisa vai esquentar de vez!!!!!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Arquétipos da Governança de TI – Parte 2

Dando continuidade as breves, mas muito importantes explicações sobre os arquétipos da governança de TI, falaremos nesta postagem sobre o Feudalismo e o Federalismo. Leiam atentamente.


Feudalismo – Este arquétipo é baseado nas ”tradições da antiga Inglaterra”, onde príncipes e princesas, ou os cavaleiros por eles escolhidos, tomavam suas próprias decisões, otimizando suas necessidades locais. Em termos de governança de TI, equivale a dizer que as decisões de TI são tomadas sem nenhuma sinergia entre as unidades de negócio, ou seja, cada uma definindo como as decisões de TI serão tomadas por conta própria. De uma forma geral, o modelo feudal tem caído em desuso, já que, a maioria das empresas está em busca da sinergia entre as unidades de negócio, porém será que alguém nunca ouviu falar de uma empresa ou órgão publico que trabalhasse assim???


Federalismo – Assim como em uma Federação, neste modelo, as responsabilidades e os poderes em relação às decisões de TI são distribuídas pelas unidades de negócio, mas com uma regra geral definida pela direção da empresa. Para Peter e Weill, este modelo é o mais difícil arquétipo para a tomada de decisões, pois os líderes da empresa têm preocupações diferentes das dos líderes das unidades de negócio. O que acaba acontecendo neste tipo de modelo é que as unidades de negócio maiores e mais poderosas ganham mais atenção e possuem maior influência sobre as decisões a serem tomadas.

Não se esqueçam que estamos montando uma grande matriz de Decisões de TI X Arquétipos de TI. Esta matriz nos auxiliará a entender melhor o funcionamento da TI em nossas organizações e poderá nos mostrar pontos de falha importantes que podem ser a diferença entre termos uma gestão de TI inteligente e uma TI vista apenas como “despesa”. Na próxima postagem terminaremos de explicar os dois arquétipos que faltam... Não deixem de acompanhar!!!!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Arquétipos da Governança de TI – Parte 1

Agora que já vimos quais são as decisões de TI que cada empresa deve tomar a fim de se ter uma boa governança de TI e consequentemente uma gestão de TI inteligente, vamos identificar quem são os grupos de pessoas existentes nas organizações que foram classificados como possíveis mandatários de cada uma das decisões.

Para facilitar o entendimento, usaremos a figura dos arquétipos, ou seja, faremos uma caracterização de grupos de pessoas que têm direitos decisórios ou contribuem para a tomada de decisões de TI. Para Ross e Weill, autores de pesquisa em mais de 200 empresas de vários tamanhos e de várias nacionalidades, é possível se identificar os seguintes arquétipos nas organizações: monarquia de negócio, monarquia de TI, feudalismo, federalismo, duopólio de TI e anarquia. Parece piada, mas você verá que consegue identificar esses arqétipos também na sua empresa. Vamos explicar melhor o que significa cada um deles...


Monarquia de Negócio – Em uma Monarquia de Negócios, os altos executivos tomam decisões de TI que afetam a empresa como um todo. O CEO (entre outros CxOs) e os executivos que comandam as várias unidades de negócio, além do CIO, compõem um comitê executivo. Neste comitê o CIO participa de forma igual em relação aos demais líderes e as decisões são tomadas em grupo.


Monarquia de TI - Neste modelo, os profissionais de tecnologia da informação tomam as decisões de TI. Este arquétipo pode ser constatado de várias formas, dependendo da empresa. Há empresas, por exemplo, onde são implementados escritórios de arquitetura de TI. Estes escritórios se tornam responsáveis por tomar toda e qualquer decisão pertinente a arquitetura de TI da empresa.

Nas próximas postagens daremos continuidade as explicações dos arquétipos. Notem que estamos montando uma matriz de responsabilidade.... Não percam.... Isto pode ser muito útil para analisar a empresa em que você trabalha....

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Decisões de TI - Parte 3

Assim como toda boa trilogia, explicaremos hoje, na terceira postagem sobre o assunto, as duas decisões que faltam para fecharmos o conjunto de decisões importantes de TI. Vamos lá?


Necessidades de Aplicações de Negócio – Apesar de todas as decisões de TI descritas até agora envolverem o valor de negócio da TI, é esta decisão que gera valor direto para o negócio. Saber identificar quem manda em relação a esta decisão de TI fará toda a diferença em relação ao uso dos recursos de TI de forma eficiente e eficaz.

Por ser uma decisão de suma importância, é bem comum vermos conflitos entre a criatividade em se criar soluções novas e a disciplina para manter a integridade arquitetônica, assegurando que as aplicações aproveitem e amplifiquem a arquitetura da empresa, sem, contudo, destruir seus princípios.


Investimentos e Priorização de TI – Comumente esta decisão é a mais controversa. Em pesquisa realizada por Peter e Weill, as empresas que obtiveram um valor superior da TI concentraram seus investimentos em suas prioridades estratégicas, levando em consideração a máxima de que “o bom é inimigo do ótimo”, ou seja, estas empresas sempre estiveram cientes da distinção entre capacidades de TI que “precisamos ter” da que “seria bom se tivéssemos”.

Ok pessoal.... Passamos pelas decisões de TI, nas próximas postagens daremos início a descrição dos tipos de pessoas que irão ter o poder decisório sobre cada uma das decisões descritas até agora... Vocês verão que a coisa vai começar a esquentar...